O Trabalhismo

O Trabalhismo

Trabalhismo, lato sensu, é o conjunto das doutrinas sobre a situação econômica dos trabalhadores. Stricto sensu, é a denominação dada a uma vertente política surgida na Inglaterra a partir de questões relacionadas à defesa de interesses políticos e econômicos levantadas por alguns setores do movimento operariado.

No Brasil: 

No Brasil, o trabalhismo teve, por expoentes teóricos, Alberto Pasqualini e Santiago Dantas. Pasqualini rejeitou o socialismo e fez a defesa da economia de mercado, mas, inspirado pelo solidarismo católico, ainda que agnóstico na sua vida pública, considerou que todo lucro deve corresponder a um ganho social, chegando a utilizar o termo “capitalismo solidarista” como sinônimo de trabalhismo. Considerando a liberdade e a solidariedade os dois valores fundamentais de uma sociedade, enxergava a possibilidade de transformações sociais através da mudança de mentalidade, que seria possível pela política de educação pública.

As raízes do movimento trabalhista remete ao sindicalismo dos operários fabris, no começo do século XX, e o tenentismo dos anos 1920, movimento formado por oficiais militares de baixa patente que reivindicava o voto secreto, o sufrágio feminino e a reforma educacional.

Em 1929, os tenentistas juntaram-se à Aliança Liberal, que também contava com o apoio de Alberto Pasqualini, opondo-se à “República do café-com-leite”, em que cafeicultores mineiros e paulistas alternavam-se na presidência. Formalmente, o trabalhismo começou propriamente em 1948, com a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro sob a inspiração de Getúlio Vargas. Contudo, Pasqualini, senador pelo partido, e seus seguidores, chamados de “pasqualinistas”, constituíram uma vertente sólida, de passado não-varguista, e crítica à figura de Getúlio.

Durante as décadas de 1952 e 1960, o trabalhismo enveredou como a principal vertente da esquerda política moderada na política brasileira, atraindo setores e eleitores que não se identificavam nem com a direita nem com o comunismo. Ainda na década de 1960, o trabalhismo já experimentara cisões, como a do Movimento Trabalhista Renovador de Fernando Ferrari.

A partir do fim da década de 1970, o Partido Trabalhista Brasileiro encontrou-se cindido politicamente após a morte de Ivette Vargas, resultando na confluência dos trabalhistas de esquerda para fundar o Partido Democrático Trabalhista, liderados por Leonel Brizola, e outros grupos menores se organizaram no Partido Trabalhista do Brasil e no Partido Trabalhista Nacional, sendo ambos posteriormente renomeados em Avante e Podemos.

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